Doador de Órgãos: Como se tornar um?

Doador de Órgãos: Como se tornar um?

Atualmente, a fila de doação de órgãos no Brasil (e no mundo) é imensa. E a única forma de diminuí-la é com a doação. São pessoas que esperam por um coração, fígado, rins e outros tantos órgãos e tecidos.

O processo de doação é bastante interessante e pode ser o único tratamento ou cura para muitos males. Por isso, vamos explicar como ser um doador de órgãos neste artigo. Veja abaixo!

Como Acontece a Doação de Órgãos?

A primeira exigência para que você tenha seus órgãos doados é a autorização da sua família, após ser decretada a sua morte encefálica. Infelizmente, no Brasil, apenas 43% das famílias autorizam o transplante, segundo dados de 2018.

Você, que já entendeu como ser doador de órgãos, não precisa deixar nada por escrito. Mas a autorização precisa ser assinada por sua família.

O Sistema Único de Saúde (SUS) financia mais de 95% dos transplantes brasileiros, incluindo os medicamentos necessários. Apesar dos problemas com a captação, decorrentes da recusa das famílias, seguimos com uma das maiores políticas públicas de transplante do mundo.

Uma única pessoa pode beneficiar até 25 receptores. Mas, geralmente, são transplantados 8 órgãos por pessoa.

Os órgãos e tecidos que podem ser doados são: coração, fígado, rins, pâncreas, pulmões, intestinos, estômago, sangue, córnea, pele, medula óssea, dura máter, crista ilíaca, fáscia lata, patela, costelas, ossos longos, cabeça do fêmur, ossos do ouvido, safena, vasos sanguíneos, válvulas cardíacas, tendões e meninge.

Lembramos que a doação é feita após a morte encefálica. Isso é bastante diferente de uma parada cardíaca. Quando ocorre a morte encefálica, seu coração pode continuar batendo. Na verdade, muitos órgãos, como o próprio coração, só podem ser aproveitados se removidos enquanto seu coração continua batendo.

As causas de morte dos doadores são as mais diversas. Entretanto, quando ocorre uma parada cardíaca, muitos órgãos não podem ser aproveitados. Logo, as mortes não-violentas são as que respondem pela maior parte das doações.

Todo o processo de coleta e destinação pode ser acompanhado por um médico de confiança.

Quando um doador é reconhecido, a Central de Transplantes é comunicada para a destinação do órgão. Além da ordem na lista, são feitos exames de compatibilidade entre doador e receptor.

Esse processo é acompanhado, diretamente, pelas Centrais Estaduais, em conjunto com a Central Nacional, caso os órgãos precisem ser direcionados para outras regiões. É uma rede que interliga todos os hospitais públicos e privados do país.

Em Quais Condições Devem Estar Os Órgãos?

Para que seus órgãos sejam aproveitados, você precisa atender a alguns requisitos:

  • Registro e identificação hospitalar;
  • Causa de morte conhecida;
  • Não ter hipotermia, hipotensão ou usar drogas depressoras do sistema nervoso central;
  • Passar por 2 exames neurológicos, com dois médicos não participantes do processo de captação, para avaliar o estado do tronco cerebral;
  • Realizar exame complementar para atestar morte encefálica;

Após esses exames, uma equipe capacitada deve informar à família a morte da pessoa e sua aptidão para a doação de órgãos.

É Possível A Doação de Órgãos em Vida?

Agora que você já viu como ser doador de órgãos e já informou sua família de sua vontade, saiba que não é necessário esperar morrer para fazer isso. Mas o processo guarda suas semelhanças e suas diferenças.

Primeiramente, um médico avaliará seu histórico clínico e patológico. E isso inclui a compatibilidade sanguínea. Existem, ainda outros testes para estabelecer a taxa de compatibilidade.

Entre os órgãos e tecidos que podem ser doados, em vida, estão:

  • Um dos rins;
  • Até 70% do fígado (ele se regenera em 45 dias);
  • Parte de um dos pulmões;
  • Medula óssea e sangue (essas doações só podem ser feitas em vida).

Doações de órgãos e tecidos em vida só ocorrem entre parentes de até 4º grau ou mediante autorização judicial. A única exceção é o sangue. Além disso, a doação não pode representar nenhum prejuízo à saúde do doador. Além disso, essa doação deve respeitar a vontade do doador, que deve ser, judicialmente, capaz.

A doação de órgãos é um processo em que a pessoa pode, literalmente, continuar vivendo, mesmo depois de falecer. É, também, uma maneira de a família cumprir os últimos desejos de quem ama e, dessa maneira, transformar um momento doloroso em uma esperança para outras famílias.

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