Como Funciona a Decomposição do Corpo Humano?

Como Funciona a Decomposição do Corpo Humano?

Quando falecemos, nosso corpo passa por uma intensa mudança. Os trilhões de seres microscópicos, larvas e, até mesmo, as substâncias que produzíamos normalmente, passam a nos consumir. Tanto de fora para dentro, quanto de dentro para fora.

O fim da vida humana é o início de um novo ciclo para uma infinidade de outros seres. De fato, o desequilíbrio causado por uma mudança tão abrupta quanto a morte, desencadeia dezenas de outros processos. Que ocorrem cada um em seu tempo e a sua maneira. Para exemplificar, vamos listar aqui, as mais importantes fases da decomposição do corpo humano.

Como Começa a Decomposição do Corpo Humano?

Crânio humano após decomposição.

A decomposição do corpo humano ocorre, basicamente, de duas maneiras. Primeiramente, nosso próprio corpo começa a se consumir. Isso acontece porque um processo fundamental para a vida deixa de acontecer. A oxigenação.

Quando ela para de ocorrer, um intenso desequilíbrio tem início. Isso porque o oxigênio é fundamental para o processamento de potássio, sódio e outros minerais importantes para o organismo. Sendo assim, sem esses processos, nossas células tentam extrair os minerais da fonte mais próxima, ou seja, consumindo outras células do nosso corpo.

A outra maneira como ocorre a nossa decomposição ocorre pela ação de outros organismos. E não são seres tão grandes ou que estejam tão distantes de nós. São as nossas velhas conhecidas bactérias. E elas são muitas. Cerca de 90% das células que estão em nossos corpos são formadas por esses microrganismos.

As primeiras a se voltarem contra nós são aquelas de nossa flora intestinal e da nossa mucosa respiratória. Para preservarem suas próprias existências, elas adentram nos tecidos adjacentes e começam a consumi-los.

Em seguida, é a vez dos organismos de fora começarem a agir. As bactérias que vivem no ambiente onde está o cadáver são as que mais contribuem para desfigurá-lo. Por fim, insetos e vermes carnívoros consomem o que sobra. Algumas vezes, esse processo ocorre ao mesmo tempo que o da alimentação das bactérias.

Quanto Tempo Demora Para Ocorrer a Decomposição Completa?

De maneira geral, a decomposição do corpo humano sepultado leva de um a dois anos para uma decomposição total. Mas isso pode variar, de acordo com as condições do cadáver. Ou do próprio ambiente.

Por exemplo, se a pessoa fazia uso de antibióticos, o número de bactérias será menor e a decomposição mais lenta. Se foi vítima de uma infecção bacteriana ou fúngica, vai ocorrer o processo inverso, ou seja, a decomposição do corpo humano será mais acelerada.

Se a pessoa for enterrada em um ambiente com baixa umidade, como desertos ou no gelo, o processo também será retardado. Isso porque essas condições permitem uma menor quantidade de bactérias externas. E diminuem, também, a ação das internas. Algumas vezes, o cadáver fica mumificado e nunca se decompõe totalmente.

No final, sobram apenas ossos e dentes, que tendem a serem mais resistentes que os órgãos internos, durando por até milhares de anos. Logicamente, esse número varia de osso para osso e de acordo com as condições da pessoa, ainda em vida. Ossos e dentes, por sua durabilidade, são usados para identificação da pessoa, quando necessário. O Que Acontece com o Corpo?

Uma das transformações mais visíveis é a da pele. Sem o processo da alimentação, ela perde água e se resseca, ficando com a coloração amarela e enrugada. Depois, por ação de bactérias, ela se esverdeia e dilata. O acúmulo de subprodutos da digestão das bactérias resulta na formação de bolhas escuras.

Quando as bolhas se rompem, os fluidos resultantes da digestão das bactérias se espalham, em conjunto com elas. Juntamente às bactérias externas, elas terminam por consumir a pele, que se desmancha.

Outro processo bastante conhecido é o rigor mortis ou rigidez cadavérica, que ocorre, aproximadamente, duas horas após o óbito, em razão do acúmulo de cálcio no tecido muscular. Com a contração dos músculos, os membros se curvam. Para endireitá-los, basta um puxão. Sendo assim, a necessidade de quebrar os ossos não passa de lenda.

Em regiões em que a pele é mais frouxa, existe uma maior facilidade na infiltração e acumulo de gases produzidos por bactérias. Isso é comum em pessoas que perderam peso rapidamente antes da morte e na região do pênis, que apresenta uma falsa ereção.

Os subprodutos da digestão das bactérias incluem aqueles que dão o odor característico de cadáveres. Uma das substâncias principais nesse processo é o gás sulfídrico, que é inflamável. Em regiões pantanosas ou cemitérios, as chamas azuis da combustão do gás geram fenômenos conhecidos como fogos-fátuos, geralmente, atribuídos ao sobrenatural.

Outras substâncias presentes são a cadaverina e a putrescina. São elas que produzem os cheiros mais fortes. E são elas, também, que são, artificialmente, acrescentadas ao gás de cozinha, que é inodoro. Isso serve para que você perceba e se incomode com um vazamento, visto que somos, naturalmente, avessos à morte.

  • As Bactérias no Processo de Decomposição

As bactérias têm ação fundamental na decomposição dos órgãos. Os primeiros a se desprenderem e desmancharem são os pulmões, por possuírem tecidos finos. Em seguida, são os intestinos, repletos de bactérias. O pâncreas, com suas enzimas digestivas, começa a se decompor logo em seguida. O fígado, em razão do tamanho, é um dos últimos a se desmanchar.

Entre os órgãos mais visados pelas bactérias, os olhos estão no topo da lista, sendo um dos primeiros a serem consumidos. Além disso, a desidratação da córnea a faz ficar branca e opaca.

A decomposição do cérebro ocorre em paralelo a todos os processos do restante do corpo. Após o óbito, elas se desligam em, no máximo, 10 minutos. Depois de alguns dias, os gases da decomposição começam a desmanchar o cérebro, que é composto, basicamente, de água e gordura. O líquido amarronzado resultante escorre pelas cavidades do crânio.

Com a falta de oxigenação, o sangue escurece. Entre 8 e 12 horas, começa o processo de coagulação. Por ação da gravidade, o sangue, já com a consistência de uma goiabada, acumula-se na parte de baixo do corpo. A parte de cima fica então pálida e os lábios arroxeados.

  • Mitos e Lendas do Processo de Decomposição

O líquido vermelho que podemos ver no cadáver, dias depois, em regiões como gengivas e narinas não é, portanto, o sangue, já que ele coagula e fica na parte de baixo no corpo. Esse é o fluido resultante da decomposição bacteriana. Por se concentrar em regiões mais vascularizadas e finas, como as mucosas, esse falso sangue deu origem a lendas de vampiros e outros mortos-vivos ao redor do mundo.

Existe a lenda de que pelos e unhas continuam a crescer depois da morte. Esses processos gastam, de fato, pouca energia e podem continuar mesmo depois da interrupção da oxigenação. Mas o processo só dura 24 h, resultando em 0,5 mm a mais de cabelo. A impressão de um crescimento maior se deve à retração da pele ressecada.

Nem mesmo as roupas escapam do processo de decomposição pelas bactérias. Fibras naturais, como seda e algodão, são consumidas mais rapidamente, em três ou quatro anos. Derivados de plástico, como poliéster, podem durar décadas ou, nunca, de fato, se decompor por completo.

  • Outros Processos

Além da decomposição do corpo humano, existem outros processos que podem ocorrer com o cadáver.

Um deles, já citado, é a mumificação. Aqui, as bactérias, em razão das condições ambientais ou pela administração de antibióticos, morrem antes de poderem consumir o corpo. Assim, ele fica preservado enquanto essas condições de manterem. Esse processo pode ser natural ou proposital.

Outro processo é o de fossilização, que demora milhões de anos para acontecer. Ele ocorre quando, naturalmente, os tecidos orgânicos são substituídos por minerais. No fim, o que temos são sedimentos com o formato do corpo.

Ainda existe o processo de compostagem humana. Nele, o corpo é posto em um compartimento reutilizável e coberto com lascas de madeira, alfafa e feno. Após alguns meses, o processo resulta em adubo orgânico, que pode ser empregado em diversas culturas vegetais.

Dessa maneira, evita-se a poluição de lençóis freáticos, com fluídos de embalsamamento e a poluição atmosférica, por emissão de CO2. Isso pois o cadáver retorna para o ciclo natural de carbono, servindo para nutrir outras vidas.

 

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